Criciúma (SC)
O setor químico da região Sul de Santa Catarina passa por um período de retração nas vendas, alta nos custos e instabilidade econômica. Fatores como juros elevados, queda no consumo, tarifas de importação e aumento das despesas logísticas têm comprometido a competitividade das empresas locais.
Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias Químicas do Sul Catarinense (Sinquisul), Valdinei de Souza, a situação exige atenção de todos os agentes envolvidos.
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“Vivemos um momento delicado, com efeitos vindos de várias frentes: instabilidade econômica, retração dos mercados interno e externo, aumento do custo de insumos e da carga tributária. Muitas empresas operam com capacidade ociosa, e há preocupação quanto à manutenção das atividades na região”, afirma.
De Souza defende união do setor para reduzir os efeitos sociais da crise. “É essencial que os esforços sejam conjuntos para que o prejuízo social seja o menor possível”, acrescenta.
Oscilação no início de 2025
Ilmar Broch, gerente comercial de uma empresa associada ao sindicato, relata que o início de 2025 trouxe um breve aumento nas vendas, motivado pela expectativa de reajuste de preços. No entanto, o movimento foi seguido por queda em diversos segmentos.
“No fim do primeiro trimestre, ficou evidente que parte da demanda resultou de compras antecipadas. A partir de março, houve retração em todos os setores em que atuamos. Indústrias de equipamentos agrícolas e rodoviários reduziram o consumo, revendas de repintura automotiva tiveram queda e a exportação foi prejudicada pela dificuldade de acesso ao dólar em países da América Latina”, explica.
Impacto da carga tributária
Outro fator apontado pelas empresas é a elevação da carga tributária. O gerente administrativo e comercial de uma companhia associada ao Sinquisul, Reginaldo Duminelli Scarsi, cita como exemplo a taxa antidumping sobre o dióxido de titânio, insumo essencial para tintas.
“A sobretaxa chega a 60% e não conseguimos repassar ao mercado. Isso pressiona ainda mais as margens, que já estão comprometidas. Hoje, a média de ociosidade é de 30%”, afirma.
Scarsi também ressalta a retração na demanda por embalagens e a falta de previsibilidade econômica. “A incerteza quanto aos rumos do país, os gastos do governo e a dificuldade de reduzir os juros travam investimentos e impactam nossas indústrias”, completa.
Reflexos da crise na construção civil
No segmento de colorifícios, a crise da construção civil, que se estende há mais de dois anos e meio, tem afetado fortemente as empresas da região. Segundo João Batista Borgert, diretor de uma empresa do setor, a elevação dos juros encareceu o crédito, prejudicando cadeias produtivas ligadas ao financiamento, como a construção.
“A cadeia cerâmica, muito vinculada à construção, sofre com a queda do consumo. Além disso, enfrentamos custos operacionais elevados, como gás e logística, e aumento da mão de obra acima da média nacional. Esse cenário dificulta qualquer planejamento estratégico”, avalia.
Borgert ainda alerta para o risco de desindustrialização regional. “Temos metade da capacidade instalada ociosa. Algumas empresas já transferiram operações para outros estados em busca de condições melhores. É um momento crítico, que exige ações conjuntas para reduzir impactos sociais e buscar perspectivas mais positivas”, finaliza.
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